Paulo Moreira Escritor

O que eu queria e não queria em Na Gaiola do Tigre

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Sinopse

Lyang é uma garota de olhos dourados que vive presa na Gaiola do Tigre, uma cidade murada marcada pela repressão e autoritarismo. Sua irmã, à beira da morte, lhe faz um último pedido: buscar a água que precisa para matar sua sede. Mas nem todos têm direito à água na Gaiola, e Lyang acaba recorrendo a um poço envenenado escondido na sombra da muralha. Diante do poço, a menina de olhos dourados encontra dois fantasmas capazes de realizar seu desejo sombrio e mudar o rumo da história.

Relato

Confesso que eu gostaria de ter dado um papel mais ativo à pequena Lyang, mas sempre vinha à minha cabeça o fato de ela ser uma criança, e portanto suas ações deviam simular as de uma criança.

Como eu queria uma personagem que não falasse muito, inspirado por Ymir de Attack on Titan, limitei-a a duas falas apenas. O que ela sentia seria descrito por suas ações. Foi complicado, e por isso usei um narrador penetra em vários momentos, que falava o que Lyang pensava mais de forma indireta (como o "saía andando, certamente", e as declarações que ela "seria farejada"). No fim, até que gostei do resultado. Dava um toque de fábula, de alguém contando uma história.

Desde a elaboração do roteiro para o conto, eu não queria descrições "concretas". Queria algo que pudesse ser imaginado de várias maneiras. Para isso, optei por usar metáforas. Então, quando digo que os guardas "vieram com vestes feitas de nuvens", é pra que você as imagine da cor branca, ou realmente como nuvens. Quando criei os fantasmas do poço, eles deviam ser imaginados tanto como fantasmas realmente quanto por pessoas que usavam máscaras (um clã assassino). O tigre branco pode ser tanto um imperador humano que usa o emblema quanto um tigre realmente. A gaiola pode ser tanto uma cidade autoritária estilo distopia quanto uma cidade encantada estilo fantasia. Você escolhe como imaginar (e sim, fazer isso é perigoso, mas decidi arriscar).

O mesmo vale para os olhos dourados de Lyang, que não a tornam uma pessoa "especial que salvará o mundo", mas apenas parte de um povo reprimido. A cor é inspirada na braçadeira amarela que os judeus foram obrigados a usar na Alemanha Nazista, mas também simboliza algo colorido que quebra a monocromia do Guan-Hin (ou Yn-Yang).

Compartilho o meu processo de criação porque não vejo muito por aí escritores comentando como dão um toque pessoal a suas histórias, focando mais na parte técnica. Não que eu seja contra as técnicas (eu as defendo bastante), mas é preciso também aprender a transmitir a sua essência, a falar de emoções, o que eu venho tentando com os contos.

Espero que tenha gostado da leitura.

E não se deixe apagar!

#conversa #conto

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